A maioria das pessoas que quer comprar o primeiro imóvel na planta chega à incorporadora com uma dúvida central — e não é sobre metragem, andar ou vista. É: "Será que estou prestes a cometer um erro irreversível?"
Essa insegurança é legítima. Uma compra na planta envolve dinheiro que você ainda não tem, em um imóvel que ainda não existe, com uma empresa que você mal conhece. O que protege o comprador nesse cenário não é otimismo — é processo.
Abaixo, apresentamos a rota completa para conduzir sua compra — passo a passo — com segurança jurídica real e equilíbrio financeiro em cada etapa.
Compreender o ciclo de vida de uma aquisição na planta evita decisões impulsivas e garante previsibilidade em cada fase. Veja o passo a passo para comprar apartamento na planta sem ser surpreendido.
Antes de escolher qualquer unidade, estruture o orçamento com precisão. O modelo de financiamento de imóvel na planta geralmente exige a quitação de cerca de 20% a 30% do valor total ao longo da obra — distribuídos entre sinal/entrada, parcelas mensais e balões semestrais ou anuais. O saldo devedor remanescente (cerca de 70% a 80%) é quitado ou financiado somente na entrega das chaves.
O erro mais comum aqui: calcular apenas se a parcela mensal cabe no orçamento, sem considerar os balões intermediários. Um balão de R$ 20 mil vence em seis meses — e se você não se preparou, o resultado é um distrato com multa.
Monte uma planilha com todos os vencimentos previstos no contrato e simule o impacto mês a mês. Só depois disso avance para a escolha da unidade.
A segurança da operação começa pela checagem documental — e essa etapa é inegociável. Exija e verifique:
Registro de Incorporação (RI): documento emitido pelo Cartório de Registro de Imóveis que autoriza legalmente a venda das unidades na planta. Sem ele, a venda é irregular.
Patrimônio de Afetação: mecanismo legal que separa as finanças daquele empreendimento do patrimônio geral da construtora. Em caso de falência da empresa, as obras continuam — é sua principal proteção.
Certidões Negativas de Débito (CND): comprovações de regularidade fiscal, trabalhista e cível da incorporadora.
Você pode consultar o RI diretamente no cartório de registro de imóveis da comarca onde o terreno está localizado. Leva cerca de 15 minutos e pode evitar anos de dor de cabeça.
Nesta fase, formalizam-se os direitos e deveres das partes — e é onde muita coisa importante está nas entrelinhas. Leia com atenção antes de assinar, especialmente:
Memorial Descritivo: anexo técnico que especifica marcas, tipos de acabamentos, louças, pisos e infraestrutura entregues nas áreas comuns e privativas. Se não está escrito aqui, não é garantido. Aquele piso que você viu no apartamento decorado pode não ser o que você vai receber.
Cláusula de tolerância: prazo legal (geralmente até 180 dias corridos) para prorrogação do prazo de entrega. Isso significa que a construtora pode atrasar até seis meses sem penalidade — planeje sua vida considerando esse cenário.
Regras de rescisão e distrato: condições e penalidades em conformidade com a Lei do Distrato Imobiliário (Lei nº 13.786/2018). Se você precisar sair do contrato, a multa pode chegar a 25% do valor pago. Saiba disso antes, não depois.
Dica prática: contrate um advogado especialista em direito imobiliário para revisar o contrato antes de assinar. O custo dessa consulta é pequeno diante do que está em jogo.
Quando a obra é finalizada, você tem o direito — e a obrigação — de inspecionar o imóvel antes de aceitar as chaves. Não faça isso sozinho. Contrate um engenheiro ou arquiteto para testar:
Nivelamento de pisos e prumo de paredes
Funcionamento e vazão de pontos de água, esgoto e ralos
Caimento de água em áreas molhadas (varandas e banheiros)
Quadro elétrico, interruptores e tomadas
Abertura, fechamento e vedação de portas, janelas e esquadrias
Qualquer problema identificado na vistoria deve ser registrado em um auto de vistoria, assinado por ambas as partes. A construtora tem obrigação contratual de corrigir os itens apontados antes da entrega formal. Se você aceitar as chaves sem registrar os problemas, eles se tornam sua responsabilidade.
Após a expedição do Habite-se (Auto de Conclusão de Obra emitido pela prefeitura) e a individualização das matrículas em cartório, você realiza o repasse do saldo devedor — via financiamento imobiliário ou recursos próprios (inclusive FGTS, se aplicável) — para receber as chaves.
Essa é a fase com maior concentração de custos de comprar imóvel na planta em um curto espaço de tempo: financiamento, ITBI, escritura e registro vencem praticamente juntos. Quem não reservou esse dinheiro com antecedência acaba tomando susto.
Muitos compradores calculam apenas o valor de tabela da unidade e são surpreendidos por encargos obrigatórios. Inclua estes custos no planejamento desde o início — especialmente o ITBI e as taxas de cartório do imóvel na planta, que chegam juntos na reta final:
Custo | Percentual | Base | Momento | O que é |
|---|---|---|---|
INCC | Variação mensal sobre o saldo devedor | Durante toda a obra | Correção monetária dos custos de materiais e mão de obra (não é juro) |
ITBI | 2% a 3% do valor venal | Na emissão da escritura | financiamento | Tributo municipal obrigatório para transferir a titularidade |
Escritura e Registro (RGI) | 1% a 2% do valor do imóvel | Após a entrega das chaves | Taxas cartorárias para lavratura e registro na matrícula individual |
Taxa de ligação | áreas comuns | Valor fixo rateado em contrato | Próximo à entrega | Ligação de concessionárias e mobiliário das áreas comuns |
O INCC não é uma taxa de juros — é uma atualização monetária que corrige o quanto você ainda deve à incorporadora com base na variação real dos custos da construção civil. Entender como o INCC funciona é essencial para não se surpreender com o saldo devedor crescendo mês a mês.
Exemplo concreto: se o seu saldo devedor é R$ 300.000 e o INCC daquele mês foi de 0,5%, o saldo corrigido sobe para R$ 301.500 antes do abatimento da próxima parcela.
Em períodos de inflação mais alta na construção civil, esse índice pode subir consideravelmente — e o impacto acumulado ao longo de dois ou três anos de obra é significativo. Por isso, amortizar valores maiores durante a obra reduz o saldo exposto à correção e diminui o custo total da operação.
Use esta lista antes de assinar qualquer compromisso. É o resumo prático de tudo que abordamos neste guia sobre como comprar imóvel na planta:
Validar o número do Registro de Incorporação (RI) diretamente no cartório da comarca
Confirmar a existência de Patrimônio de Afetação no contrato
Ler o Memorial Descritivo completo — item por item, sem pular
Simular o impacto acumulado do INCC no orçamento ao longo de toda a obra
Reservar de 4% a 5% do valor total do imóvel para ITBI, registro e despesas cartorárias
Mapear todos os balões e vencimentos intermediários em uma planilha
Definir antecipadamente a instituição financeira para o financiamento do saldo das chaves
Contratar advogado para revisar o contrato antes de assinar
Contratar engenheiro ou arquiteto para acompanhar a vistoria de entrega
A compra de um imóvel na planta une rentabilidade, flexibilidade de pagamento e modernidade de projeto. O que transforma essa oportunidade em resultado real é a combinação de segurança jurídica, planejamento financeiro detalhado e acompanhamento técnico em cada fase.
A MME Empreendimentos estrutura cada projeto com rigor técnico, transparência contratual e cumprimento de prazos. Se você quer entender qual é o fluxo financeiro ideal para o seu momento de vida, converse com nossa equipe de especialistas e receba uma simulação personalizada para o seu perfil.